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Loretta Chase Irmãos Carsington 01 – Irresistível    Miss Wonderful

 

 

Irresistível

(Miss Wonderful)

Irmãos Carsington 01

Loretta Chase

 

Disponibilização e Tradução: Renata Designe – Aldenisa Santos - Marelizpe

Pesquisa:Yuna, Gisa, Mare e Rosie

Revisão:  Irany Santos

Revisão final e formatação:  Mare

 

 

Irresistível

Alistair Carsington gostaria de ser menos namorador, mas as mulheres sempre foram sua perdição e ruína. Para escapar de seus piores impulsos viaja ao condado do Derby — segundo ele, o lugar mais afastado de toda civilização, — onde espera matar dois pássaros com um tiro: fugir da tentação e, sobretudo, fazer um favor a um amigo que salvou sua vida no campo de batalha de Waterloo. Suas nobres intenções se modificam quando conhece Mirabel Oldridge, uma mulher tão inteligente, obstinada e confusa como ele… e maravilhosamente irresistível.

 

Ambientada na Inglaterra da Regência, Irresistível reúne os melhores ingredientes das novelas da Loretta Chase: uma história esplendidamente escrita, com fino sentido da ironia, extraordinária sensibilidade e muito romantismo.

 

 

Prólogo

 

Londres, finais do outono de 1817.

 

O muito honrado Sr. Edward Junius Carsington, Conde de Hargate, tinha cinco filhos varões… que eram três a mais do que necessitava. Já que a Providênciacom alguma ajuda por parte da sua mulhero tinha abençoado com um robusto herdeiro e um igualmente saudável segundo filho, ele teria preferido que os três seguintes tivessem sido filhas.

A razão era que sua senhoria, igual a muitos da sua condição, tinha uma aversão mórbida pelo acúmulo de dívidas, e todo mundo sabe que os filhos varões, especialmente os de um nobre, custam uma verdadeira fortuna.

A modesta formação que necessitam as jovens aristocratas pode ser facilmente dada no lar, enquanto os meninos devem ser enviados a um colégio particular e, depois, à universidade.

No curso de sua educação, as jovens adequadamente vigiadas não se metem em confusões das quais o pai deve tirá-las ao custo de enormes somas.

Os meninos fazem tudo a mais, a menos que sejam enjaulados, o que é pouco prático.

Isso era certo, ao menos para os filhos de Lorde Hargate. Tendo herdado de seus pais uma presença atraente, grande vitalidade e uma vontade robusta, metiam-se em apuros com uma regularidade desesperadora.

Digamos também que a uma filha é possível casá-la muito jovem e por um custo relativamente pequeno, depois do que ela passa a ser problema do seu marido.

Os filhos… Bom, em resumo, seu nobre pai deve comprar cargos no governo, na Igreja ou na carreira militar… ou encontrar para eles esposas ricas.

Nos últimos cinco anos, os dois filhos mais velhos de Lorde Hargate tinham cumprido com seu dever no terreno matrimonial. Isso dava liberdade ao Conde para voltar seus pensamentos para aquele desconcertante exemplar de ser humano que era, para todo mundo, aos seus vinte e nove anos de idade, seu terceiro filho: o honorável Alistair Carsington.

Não que Alistair estivesse alguma vez longe do pensamento de seu pai. Nem seria possível já que o tinha presente dia após dia em forma de faturas de todo tipo de fornecedores.

Com os gastos no alfaiate, no sapateiro, no chapeleiro que faz as luvas e outros comerciantes variados… sem mencionar as lavadeiras, os vendedores de vinho e licores, os pasteleiros, etc. eu poderia armar toda uma frotase queixava à sua esposa certa noite no momento de deitar-se junto dela.

Lady Hargate deixou de lado o livro que estava lendo e prestou toda atenção ao seu marido. A Condessa tinha o cabelo escuro e uma figura com porte, era mais bela que atraente, com uns cintilantes olhos negros, um nariz intimidante e uma firme mandíbula. Dois de seus filhos tinham herdado seus traços.

Este filho em questão tinha herdado os de seu pai. Os dois eram de estatura elevada e de constituição magra por natureza, de maneira que o Conde, um homem já de meia idade, não era muito mais gordo do que tinha sido quando tinha a idade de Alistair. Possuíam ambos um perfil aquilino e olhos de pálpebras pesadas, embora os do Conde fossem mais pardos que âmbar e um pouco mais fundos. Além disso, nos cabelos castanhos escuros do pai havia uns fios prateados. Os dois tinham a mesma voz profunda dos Carsington, e as emoções tanto as positivas como as negativasdavam uma aspereza que a convertiam em grunhidos.

Naquele preciso momento, Lorde Hargate estava grunhindo.

Tem que pôr fim a isso, Neddisse Lady Hargate.

Ele a olhou fixamente, com as sobrancelhas arqueadas.

Sim, recordo o que disse a você no ano passadoprosseguiu sua esposa. Disse a você que Alistair se preocupa muito por seu aspecto porque é consciente de sua claudicação. E pedi que tivesse paciência com ele. Mas já faz mais de dois anos que retornou do Continente, e as coisas não melhoram. Diria que não há nada que importe, salvo suas roupas.

Lorde Hargate franziu o cenho:

Jamais pensei que chegaria o dia em que teríamos que nos preocupar porque «não estivesse» em apuros por culpa de uma mulher.

Tem que fazer algo, Ned.

— Faria se tivesse a mínima idéia do que devo fazer.

Que tolice!protestou Lady Hargate. Se puder lutar com a descendência do Rei… para não falar desses tipos rebeldes da Câmara dos Comuns… seguramente pode corrigir o seu filho. Logo acontecerá algo, não tenho a menor duvida. Mas urge que pense logo, querido.

Uma semana depois, em resposta ao chamado de Lorde Hargate, Alistair Carsington se achava de pé junto a uma janela do estúdio de seu pai, examinando um longo documento. Continha uma relação do que seu pai tinha intitulado «Episódios de Estupidez», com seu custo expresso em libras, xelins e centavos.

A lista das indiscrições de Alistair era curta para o habitual em alguns homens. Entretanto, o grau de loucura e notoriedade implícito nelas estava muito acima da média, como ele mesmo era o primeiro, a saber, e lamentar.

Não necessitava da lista para recordar: apaixonava-se rápida, profunda e desastrosamente.

Por exemplo:

Quando tinha quatorze anos, foi Clara, a filha loira e de rosadas bochechas de um zelador de Eton. Alistair a seguia como um cachorrinho e esbanjou toda sua mesada lhe dando de presente guloseimas e lindos adornos. Um dia um rival ciumento, um jovem do lugar, expressou certas observações provocadoras. A disputa passou logo para a troca de insultos a troca de golpes. A briga atraiu a uma multidão. E a rixa seguinte entre um grupo de condiscípulos de Alistair e alguns meninos do povo resultou em dois narizes quebrados, seis dentes perdidos, uma comoção cerebral leve e consideráveis danos à propriedade. Clara derramou amargas lágrimas sobre o rival caído e chamou de besta ao Alistair, que com o coração destroçado, não percebeu que enfrentava à expulsão e a acusações por agressão, alteração da paz do Rei, incitação à revolta e destruição da propriedade. Lorde Hargate sim, teve que ter isso em conta, e lhe custou um bom dinheiro.

À idade de dezesseis anos foi Verena, a quem Alistair conheceu durante umas férias de verão. Como os pais da garota eram pessoas piedosas e estritas, ela lia em segredo escondido deles novelas apimentadas e se comunicava com o Alistair em apressados murmúrios e cartas clandestinas. Uma noite, tal como tinham combinado, escapou até a casa da Verena e jogou pedrinhas à janela de seu dormitório. Ele imaginava que protagonizariam alguma variante da famosa cena do balcão de Romeo e Julieta. Mas Verena tinha outras idéias. Jogou uma mala no vazio e baixou logo ela mesma por uma corda feita com lençóis amarrados. Disse que não queria seguir sendo prisioneira de seus pais. E que fugiria com o Alistair. Emocionado de ver-se resgatando a uma rapariga em apuros, Alistair não pensou no dinheiro, no transporte, no alojamento nem nos demais detalhes e  concordou imediatamente. Alcançaram a ambos antes que tivessem podido chegar à paróquia mais próxima. Os pais de Verena, muito furiosos, queriam que o moço fosse acusado por seqüestro e deportado para Nova Gales do Sul. Depois de arrumar as coisas, Lorde Hargate aconselhou ao seu filho que buscasse uma prostituta e deixasse de sonhar com virgens bem educadas e de boa família.

Aos dezessete anos foi Kitty. Era a ajudante de uma costureira e tinha uns olhos azuis imensos. Graças a ela Alistair aprendeu, entre outras coisas, as questões mais delicadas da moda feminina. E quando as queixa de uma ciumenta e metida cliente custaram a Kitty seu emprego, Alistair publicou um panfleto a respeito daquela injustiça. A cliente o processou por libelo, e a costureira o fez por difamação e para ressarcir-se dos danos sofridos pela diminuição de sua clientela. Lorde Hargate atuou da forma habitual.

Quando tinha dezenove anos, apareceu Gemma, uma elegante chapeleira. Certo dia uns policiais detiveram a carruagem em que iam os dois para um romântico idílio rural, e encontraram no interior das chapeleiras da Gemma alguns objetos roubados. Ela alegou que uns rivais ciumentos tinham introduzido provas falsas, e Alistair acreditou. Seu apaixonado discurso a respeito de conspirações e funcionários corruptos atraiu uma grande multidão, que provocou desordens e alterações, como freqüentemente as multidões causam. Convocou a Riot Act, a polícia de distúrbios, e Alistair foi posto sob custódia junto com sua amante de dedos ligeiros. Uma vez mais, Lorde Hargate teve que ir ao resgate.

Aos vinte e um anos foi Aimée, uma bailarina francesa que transformou o frugal apartamento de solteiro de Alistair em uma moradia elegante. Davam festas que logo se fizeram famosas no mundinho londrino. Como os gostos de Aimée rivalizavam com os da finada Maria Antonieta, e jamais teria passado pela imaginação de Alistair lhe negar nada, o jovem acabou na casa do oficial, antes que como um devedor fosse enviado à  prisão. O Conde pagou a astronômica dívida, encontrou um posto para Aimée em uma companhia de balé itinerante e disse ao Alistair que já era de se comportar como as pessoas respeitáveis e de deixar de ficar em evidência diante de todos.

Lady Thurlow, a primeira e única aventura de Alistair com uma mulher casada, apareceu quando ele tinha vinte e três anos. Dentro do grande mundo, uma relação adúltera se guarda com discrição tanto para proteger a reputação da dama como para poupar ao seu marido ações legais e tediosos duelos. Mas Alistair não podia ocultar seus sentimentos, e ela teve que pôr fim à relação. Por desgraça, uma faxineira roubou as cartas de amor de Alistair e ameaçou torná-las públicas. Para proteger a sua amada do escândalo e de um marido ultrajado, Alistair, que não tinha meios para reunir a elevada cifra da chantagem teve que recorrer ao seu pai.

Mas a pior de suas loucuras chegou quando tinha vinte e sete anos. Judith Gilford era filha única de um viúvo rico e enobrecido recentemente. Entrou na vida de Alistair em princípios do novo ano de 1815. O jovem venceu logo todos os rivais, e em fevereiro se anunciou o compromisso. Em março estava já vivendo um purgatório.

Em público, Judith era uma jovem encantadora e tinha uma conversa muito agradável. Mas em particular se zangava ou tinha autênticos chiliques quando não conseguia exatamente o que queria e no instante que queria. Esperava ser sempre o centro de atenção de todos. Seus sentimentos se sentiam feridos com facilidade, mas não lhe importavam absolutamente os de outros. Era cruel com sua família e amigos, abusiva com os serventes, e ficava histérica quando algum tentava conter sua ira ou sua linguagem.

E assim, ao chegar março, Alistair estava desesperado porque um cavalheiro não deve romper um compromisso. E como Judith não o faria, só podia desejar se ver pisoteado por uma manada de cavalos selvagens desbocados ou ser arrojado ao Tamisa, ou que o esfaqueassem uns bandidos. Até que uma noite, quando ia ao caminho para certo sórdido bairro onde existiam grandes possibilidades de encontrar uma morte violenta, tropeçou de algum modoe ainda não estava seguro de comocom os consoladores braços de uma voluptuosa cortesã chamada Helen Waters.

Alistair se apaixonou loucamente uma vez mais, e de novo se comportou de forma indiscreta. Quando Judith soube, fez terríveis cenas em público e o ameaçou com processos. Aquilo foi a glória para os fofoqueiros, mas não para Lorde Hargate. O que logo se soube de Alistair foi que, de algum jeito, foi metido à força em um navio rumo ao continente.

Bem a tempo para chegar a Waterloo.

Aquilo foi o final da lista.

 

Com as bochechas avermelhadas, Alistair se afastou coxeando da janela e deixou o documento na grande mesa atrás da qual se encontrava seu pai observando. E afetando uma calma que não sentia, perguntou:

Mereço algum crédito por não ter tido nenhum episódio depois da primavera de 1815?

Não se colocou em nenhuma confusão só porque esteve incapacitado na maior parte do tempo, replicou Lorde Hargate. Mas, enquanto isso, as faturas dos fornecedores seguem chegando aos montões. Não saberia dizer o que é pior. Pelo que gastas em coletes, poderia ter um harém de prostitutas francesas.

Alistair não podia negar. Sempre tinha sido muito exigente em questão de roupas. Talvez ultimamente viesse dedicando mais tempo e atenção que antes com a sua aparência. Possivelmente porque isso afastava da sua mente outros pensamentos. De 15 de junho, por exemplo: um dia e uma noite que não podia recordar. Waterloo era algo impreciso em sua memória. Fingiu recordar, da mesma maneira que tinha fingido não notar a diferença desde que tinha retornado ao lar: a idolatria que o envergonhava interiormente e a compaixão que o enfurecia.

Afastou de si esses pensamentos e franziu o cenho ao notar uma bolinha de fiapo na manga da sua jaqueta. Resistiu ao impulso de escovar imediatamente com a mão. Pareceria um gesto de nervosismo. Estava começando a suar, mas isso ainda não se notava. Desejou que seu pai acabasse antes que o calor estragasse a seda de sua gravata.

Eu não gosto de falar de dinheiro, disse seu pai. É vulgar. Mas, por desgraça, já não posso continuar fugindo do assunto. Se o que quer é extorquir aos seus irmãos menores os bens que lhes correspondem, dane-se você.

Aos meus irmãos? Alistair sustentou o olhar inflexível de seu pai. Por que ia eu a…? Calou-se porque nos lábios de Lorde Hargate começava a apontar um muito leve esboço de sorriso.

Oh, aquele sorriso jamais pressagiava nada bom.

Deixe que eu explique…disse Lorde Hargate.

Deu-me até o primeiro de maio, contou aquela tarde Alistair ao seu amigo Lorde Gordmor. Ouviu alguma vez algo tão diabólico?

Tinha chegado quando seu antigo camarada de armas estava se vestindo. Gordmor deu uma olhada no rosto de Alistair e em seguida despediu seu criado. Assim que estavam os dois a sós, Alistair lhe descreveu a entrevista que tinha mantido essa manhã com seu senhor pai.

A diferença da maioria dos nobres, o visconde era perfeitamente capaz de vestir-se por si só, e assim o fez enquanto seu amigo falava.

Naquele instante, sua senhoria estava diante do espelho, tentando dar um nó na gravata. Como o processo não só implicava fazer um nó correto, mas também dispor as dobras com uma exatidão desesperadora, a tarefa exigia normalmente que alguém enrugasse meia dúzia de laços de tecido engomado antes de conseguir a perfeição.

Alistair se achava de pé junto à janela do quarto de vestir e observava a cena que se desenvolvia ante seus olhos, embora desde aquela manhã o acerto das gravatas tinha perdido para ele parte de seu estímulo.

— Seu pai é um enigma para mim, disse Gordmor.

Quer que me case com uma herdeira, Gordy… Pode acreditar? Depois do desastre com Judith?

Já então Gordmor tinha advertido ao Alistair que tinha que ser cuidadoso. Um filho único não sabe o que é ter que compartilhar com outros irmãos o afeto e a atenção de seus pais, e tendia por isso a ser excessivamente mimado e pouco disciplinado.

Agora Gordy disse somente:

Deve ter na Inglaterra uma herdeira, pelo menos, que não seja um despropósito ou tenha péssimo caráter…

Isso não muda...

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